Perfeccionismo - definição e principais distorções cognitivas (1 de 5)

Atualizado: Abr 9


Sua meta de vida é ser perfeito! Que chato... você nunca vai conseguir... Hoje vamos falar sobre perfeccionismo.

Eu trabalhei alguns anos em empresas, e atuei por um tempo em recrutadora. Qual recrutador que nunca ouviu perfeccionismo como uma qualidade de um candidato ou também um ponto de melhoria de outro. Clássico. O curioso é que essa palavrinha de fato causa dúvidas. Esse tema vou abordar em 5 textos: Neste vamos falar sobre definição e distorções cognitivas. No próximo , vou trazer os dois aspectos de perfeccionismo: preocupação e esforço. No terceiro, vamos ver as emoções mais frequentes no perfeccionista no modelo ABC. No quarto, vou trazer o modelo clínico cognitivo-comportamental do perfeccionismo. No quinto e último, vou trazer dicas práticas de enfrentamento. Afinal, é bom ou ruim ser perfeccionista? No caso da psicologia, a resposta é clara: não é bom. Ué? Mais porque? Porque, nas palavras do mestre Salvador Dali, porque mesmo que você se preocupe com a perfeição, você nunca irá consegui-la! Mas então, é bom eu fazer tudo de qualquer jeito? Aí começa a primeira distorção cognitiva de quem apresenta traços perfeccionistas: a visão dicotômica de ou tudo ou nada. Sim. Ele faz perfeito, ou o muito bom não tem valor. Sem dúvida, uma crença irracional, pois não é lógico imaginar que que a negação de perfeição seja algo sem valor.

Para o perfeccionista, ou ele faz perfeito, ou não faz. O que também leva a procrastinação. O perfeccionista acredita que ele é o único responsável pela perfeição da sua vida, dos seus projetos. O que leva à segunda distorção cognitiva: a personalização. Não é nenhum pouco lógico pensar na auto-responsabilização excessiva de alguém sobre alguma coisa. Já falamos sobre isso aqui no canal no exercício de culpa. A Rotulação também é uma distorção cognitiva. A pessoa entende que seus comportamentos e sua aparência a definem. Se ela apresentar algo abaixo do seu padrão de perfeição, - ou seja, tudo, o tempo todo - ela vai se rotular como tal. Essa também é uma distorção muito comum em perfeccionistas que exigem a perfeição do outro. Outra distorção comum é a Visão em túnel, Filtro negativo, onde há dificuldade de enxergar a totalidade, focando no que não está correto. O que leva a última distorção que é a desqualificação do positivo - Menospreza aspectos positivos de si e dos outros. É importante deixar claro, que o perfeccionismo não é em si um transtorno mental. Porém é um sintoma de transtornos que conhecemos bem, como depressão maior, transtornos obsessivo-compulsivos, transtorno de ansiedade generalizada, transtorno de personalidade obsessivo-compulsiva, transtornos alimentares em geral. Sim! É mais presente do que você imagina. Por definição do DSM-V, perfeccionismo é definido como: Insistência rígida em que tudo seja impecável, perfeito e sem erros ou faltas, incluindo o próprio desempenho e o dos outros; sacrifício de oportunidades para assegurar a correção em todos os detalhes; crença de que existe apenas uma maneira certa de fazer as coisas; dificuldade de mudar de ideia e/ou ponto de vista; preocupação com detalhes, organização e ordem. (...) Tá, tudo bem. Mas se não é bom ser perfeccionista, então, qual a alternativa? A busca pela excelência. Não é nem a busca pelo bom. É pelo excelente. O que pra muitos perfeccionistas causa estranho desconforto. A excelência indica padrões superiores de desempenho, de forma, de qualidade. Porém, reconhece que a realidade é imperfeita. Existe a frase: é melhor feito do que perfeito. Eu criei outra também nessa linha: é melhor com defeito do que não feito. Aceitar que até as coisas que garantam excelência vão ter erros, falhas, defeitos, te ajuda a realizar as coisas de forma assertiva e excelente! Como diria Fernando Pessoa: O perfeito é desumano porque o humano é imperfeito. Sem dúvida, esse é um dos temas que mais gosto de estudar! Não é um tema exclusivo da TREC, mas podemos traçar diversos paralelos, entre crenças irracionais de perfeição X crenças racionais de excelência. No próximo vídeo, vou trazer os dois aspectos de perfeccionismo: preocupação e esforço. Vamos aproveitar esses dias da melhor maneira possível!

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Texto desenvolvido por Márcia Verônica de Paiva Machado, Psicóloga formada pela PUC-Rio (CRP 05/35863).

Terapeuta Certificada pelo Instituto Albert Ellis em Terapia Racional-Emotiva Comportamental.

Atende em consultório particular, com sessões baseadas em Terapia Racional-Emotiva Comportamental.

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