Vamos aprender o ABC da TREC.

Atualizado: Abr 1


Hoje vamos aprender o ABC da TREC. Sim, o modelo desenvolvido pelo psicólogo Albert Ellis. O modelo ABC foi desenvolvido por Albert Ellis como uma forma didática de sintetizar sua teoria e explicar aos seus pacientes a premissa que eu só sou responsável pelo que eu penso, pelo que eu sinto e pelo que eu faço. que norteia todo o atendimento em TREC. A propósito, você já entendeu o que é TREC? O T é de Terapia, ou seja, um tratamento, um processo que vai te ajudar a desenvolver novos habilidades, novos recursos, que vai te capacitar, te ajudar a fazer os ajustes que você deseja e são indicados para o caso. O R vem de racional. Racional para a TREC não significa razão, excluindo emoção. Significa algo que vai te ajudar a fazer as melhores escolhas e agir rumo ao que você deseja. Significa também alcançar seu objetivo com o menor esforço, gasto de energia possível. O E vem de emotiva. Sim! Existe emoção e muita na TREC! Emoção é o que sentimos, que podem ser emoções saudáveis ou não. O C vem de comportamental. De nada adianta nos sentirmos bem, se não tivemos a ação adequada. O componente comportamental é muito presente na TREC. É considerada a primeira das terapias cognitivo-comportamentais. Desde seu início, a TREC usa a cognição, as crenças como via preferencial para alcance de mudanças. Isso não quer dizer que não contemple recursos emotivos e comportamentais. Mas sim, o debate de crenças irracionais estão no centro da terapia. Vamos entender porque? Nada mais prático do que uma boa teoria. E nada mais prático do que uma teoria simples, de fácil entendimento e que, por ser caráter multimodal, pode ser aplicada em diversos casos clínicos e subclínicos. Queria muito ter gravado este vídeo no consultório porque tem um quadrinho que facilitaria a minha explicação, mas vou colocar imagens na tela para facilitar seu entendimento. Vamos entender o que significa o modelo ABC e qual sua relação com a premissa da TREC que eu só sou responsável pelo que eu penso, pelo que eu sinto e pelo que eu faço. Vamos pensar na seguinte situação: Uma mãe está com muita raiva porque seu filho não lava a louça! “Que moleque imprestável! Ele faz isso só pra me deixar com raiva! Isso não vai ficar assim! Ele vai se ver comigo” Parece que o filho deixa a mãe com raiva toda vez que ele não lava a louça, ne? Parece, mas talvez não seja bem assim. Como terapeuta, nosso objetivo é te ajudar a ter os benefícios de assumir a responsabilidade pelo que você pensa, pelo que você sente e pelo que faz. Isso implica em 1: assumir que além de não sermos responsáveis pelo que os outros fazem, 2: assumir a nossa responsabilidade de nosso destino emocional. Pensando em mudar essa percepção dos seus clientes e explicar de forma didática porque essa forma de entender a situação talvez não seja a mais adequada, surgiu o modelo ABC. O A significa o situação, evento ativador ou Adversidade. O B significa crença, que vem o inglês Belief. O C significa consequências, que podem ser cognitivas, comportamentais ou emotivas. Vale lembrar que o A é um evento ativador e inclui também as inferências, os pensamentos que passam pela cabeça na hora do evento. Dito isso, temos esse quadro. ABC Baseado nos estudos de Epiteto, filósofo estóico, outra premissa da TREC é que não são as coisas que me perturbam, mas a interpretação que faço sobre as coisas. A TREC acredita que não é a situação nem os pensamentos (A) quem vai determinar nossa reação (C) . Quem determina as consequências são as crenças (B), que podem ser racionais ou irracionais. Vamos então relembrar o que é racional: racional é tudo aquilo que me ajuda a atingir meu objetivo, de forma efetiva. Uma crença racional vai te ajudar a sentir emoções saudáveis, mesmo que negativas, e vai te ajudar a ter comportamentos assertivos que vão te aproximar do seu objetivo. Para isso, uma crença racional é aquela que é flexível, lógica, realista, preferencial. Uma crença irracional é aquela que é rígida, ilógica, não realistas, demandante. Existe uma conexão entre (B) e (C) que é a conexão das crenças com as consequências. O (A), a situação ativadora, a adversidade, é como o nome diz, algo não desejado que acontece na nossa vida e gera pensamentos. Vamos ao ABC aplicado ao exemplo: Mãe entra na cozinha e vê que filho não lavou a louça. (A’) “Que moleque imprestável! Ele faz isso só pra me deixar com raiva! Isso não vai ficar assim!” Meu filho deveria lavar a louça. Ele é imprestável. Emoção: raiva / comportamento: grita, xinga, ameaça o filho. Se a mãe do nosso exemplo tivesse uma filosofia de vida racional, de preferências, ela não sentiria raiva. Ela sentiria irritação. Observe que o evento ativador, a situação, a adversidade é a mesma. Mãe entra na cozinha e vê que filho não lavou a louça. (A’) “Que moleque imprestável! Ele faz isso só pra me deixar com raiva! Isso não vai ficar assim!” Gostaria que meu filho tivesse lavado a louça. Ele não fez o combinado, mas não significa que ele é imprestável. Emoção: irritação / comportamento: reconhece o erro do filho, reação assertiva. Qual a principal diferença entre uma crença e outra? A crença racional te prepara para aceitar a situação adversa quando ela acontece. Quando você entende que seu desejo não é nada além de um desejo, você entende que ele pode acontecer ou não. Se desejar positivo e muito forte fosse garantia de que seu desejo se realizasse, o mundo seria outro, com certeza. Não estaríamos aqui falando disso. Você talvez não estivesse sofrendo. A parte boa é que desejar algo ruim, negativo também não é garantia de que seu desejo vai se realizar. Ou seja, sabemos que um desejo pode ou não acontecer. Prepare-se para a realidade: prepare-se para caso aconteça o melhor cenário, mas considere que pode acontecer um pior cenário onde você vai ser frustrado e vai ver seu desejo impedido de se realizar. Resumindo: o ABC traz a responsabilidade das suas consequências emocionais e comportamentais para você. A única responsabilidade que de fato cabe a você e que está sob sua esfera de controle. Aprenda a aplicar o ABC na sua vida, a desenvolver crenças racionais, flexíveis, preferenciais e esteja preparado para lidar de forma saudável e assertiva quando alguma adversidade acontecer na sua vida! Já conhecia o modelo ABC? Ficou com dúvidas? Deixa aqui nos comentários! Vamos aproveitar esses dias da melhor maneira possível! A gente se vê no próximo vídeo.


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Texto desenvolvido por Márcia Verônica de Paiva Machado, Psicóloga formada pela PUC-Rio (CRP 05/35863).

Terapeuta Certificada pelo Instituto Albert Ellis em Terapia Racional-Emotiva Comportamental.

Atende em consultório particular, com sessões baseadas em Terapia Racional-Emotiva Comportamental.

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